quinta-feira, junho 01, 2006

Videojogos ao serviço do Estado

Notícia do Jornal de Notícias [links colocados por mim].

«As grandes batalhas ideológicas que animam o planeta saltaram dos gabinetes dos estrategas para o universo dos videojogos. E têm feito estragos muito para lá das consolas e dos computadores. As primeiras imagens do novo jogo produzido pelos estúdios norte-americanos Pandemic, o "Mercenaries 2 - World In Flames", que chegará apenas em 2007 ao mercado, suscitaram aceso debate no Parlamento venezuelano, cheio de deputados indignados com o jogo. Aquele, de grande realismo, consiste em levar um comando dos EUA a assaltar a refinaria venezuelana de Amuay para garantir o controlo da produção petrolífera que se encontra nas mãos do tirano local. Não foi difícil à deputada Gabriela Ramírez ver, no jogo, uma peça da alegada campanha internacional dos EUA para justificar uma futura agressão militar à Venezuela, visando cativar os seus recursos petrolíferos.

«O caso não é inédito. Já antes, o "Mercenaries 1" evocava, de forma explícita, ataque similar à Coreia do Norte. Ali, porém, onde sobreviver é tarefa diária, não houve protestos - a existirem consolas, a realidade irá superar sempre a fantasia digital, por mais monstruosa que se apresente

«Mas a banalização da tecnologia dos videojogos ao serviço da propaganda não conhece fronteiras. Esta semana começará a ser distribuído um videojogo iraniano [o "Commander Bahman"], desenvolvido pelos membros de uma associação islâmica de estudantes, em que um comando iraniano tem de libertar um engenheiro nuclear capturado pelas forças norte-americanas no Iraque, onde se encontrava em peregrinação aos lugares santos xiitas de Kerbala. Com a tensão instalada entre Washington e Teerão, o êxito está assegurado.

«Algo que não aconteceu com o videojogo lançado pela ONU, do estilo "Sim City", [o "Food Force"]em que o objectivo é desempenhar tarefas ao serviço do Programa Alimentar Mundial. Os números mostram que lançar comida sobre campos de refugiados será menos entusiasmante do que atirar bombas sobre inimigos virtuais...»

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