quinta-feira, novembro 01, 2007

E-mail no Plano Tecnológico para a Educação



O Plano Tecnológico da Educação, publicado em Diário da República (18 de Setembro de 2007), dá conta de que...
Apesar do aumento de dotação de equipamentos e dos esforços para aumentar a utilização do correio electrónico, este canal de comunicação ainda é muito pouco utilizado (menos de um terço das escolas disponibiliza endereços de e-mail a docentes e não docentes versus 70 % a nível europeu). É importante acelerar a adopção e a utilização de e -mail pelo seu efeito dinamizador na utilização de tecnologia e de aumento de eficiência na gestão. »»DR

Não podia estar mais de acordo com a ideia de que o e-mail tem um “efeito dinamizador na utilização de tecnologia”. Já quanto aos «esforços para aumentar a utilização do correio electrónico», duvido de que tenha sido feito tudo o que estava ao alcance da escola e de quem a dirige.

O Plano Tecnológico para a Educação, que é tão ambicioso em patamares estatísticos de distribuição de hardware e de acessibilidades à rede, quanto à utilização do e-mail propõe-se…

Massificar a utilização de meios de comunicação electrónicos, disponibilizando endereços de correio electrónico a 100 % de alunos e docentes já em 2010; »»DR

O “já” só poderá entender-se como um apontamento irónico, a meu ver.

Para promover uma alfabetização digital, pequenos passos podem despoletar a alteração de hábitos e ganhar novas perspectivas. O facto de as escolas, ou o Ministério da Educação, não terem atribuído uma conta de e-mail aos docentes e alunos contitui, na minha opinião, um erro enorme.

Numa formação que oriento com outro colega professor, relacionada com Bibliotecas Digitais e Novas Literacias, propusemo-nos, entre outros, fazer com que os professores que participam perdessem o medo - a palavra é essa - de utilizarem coisas tão básicas como o correio electrónico. Numa troca de e-mails com uma colega da formação, descrevia-me o fascínio que era enviar um e-mail e receber uma resposta logo de seguida. Enviou o seu primeiro e-mail há uma semana atrás. E agora confessa que está “a tentar descobrir algumas ‘coisas’ deste novo mundo - para mim”.

Infelizmente não só para si. Em grande parte das escolas assiste-se a situações como as seguintes.

1. Habitualmente, quando se quer fazer um aviso, um ou mais funcionários levam o aviso a cada professor, para que leia e assine, atestando que dele tomou conhecimento.
Será necessária pelo menos uma semana para que numa escola com 100 professores este processo fique completo. E os funcionários, qual Mercúrio-mensageiros, passam o tempo a ‘pesquisar’ onde estão os professores.

2. Grande parte das reuniões realizadas não passam de uma mera transmissão de informação. Numa cadeia deste género, ME - DRE's - Escola - Conselho Pedagógico – Departamentos - Professores. A qualidade da circulação da informação é fundamental para que uma instituição funcione. E com a atribuição de uma conta de e-mail oficial aos professores, o ME conseguiria eliminar etapas e evitar hipotéticos ruídos; as escolas, poupar algumas resmas de papel e tinteiros.

3. A comunicação escola«-»professor; professor«-»aluno; pais«-»escola/professor sairia beneficiada com a utilização desta ferramenta. Sendo, como devia, considerada com meio oficial de comunicação, iria levar a que os vários agentes sentissem a necessidade de utilizar com regularidade o e-mail.

4. Pela observação que faço dos alunos, o e-mail não está no topo das suas ferramentas favoritas. Muitos têm uma conta de e-mail apenas para utilizar o Messenger ou poder abrir contas em sites que solicitem um endereço de correio electrónico.
No entanto, cada vez mais, muito do trabalho feito numa empresa passa pela leitura, resposta e gestão do e-mail. Um aluno que saia do ensino secundário sem ter uma conta de e-mail (pessoal ou da escola) não está preparado para ingressar na universidade ou no mercado de trabalho.

5. Por fim, a utilização do e-mail, nos aspectos técnicos e, sobretudo, nos comunicacionais, deve ser objecto de aprendizagem. Contudo, se os professores não utilizarem, se os alunos não perspectivarem esta ferramenta como um meio de trabalho, julgo que a implementação de uma literacia digital, assente essencialmente na distribuição de equipamento, está a ser construída como um edifício iniciado a partir 2º ou 3º andares.

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