quarta-feira, fevereiro 13, 2008

Brincadeiras favoritas das crianças

Há poucos dias, no 1º Congresso Internacional em Estudos da Criança, Brasilda Rocha começou a sua apresentação - O brinkar como transformador da energia - propondo aos presentes que pensassem em qual terá sido o seu brinquedo/brincadeira favorita na infância. Fiquei a pensar, sobretudo, no que responderão as agora crianças, que cresceem rodeadas de aparelhos digitais, daqui a uns anos...

Hoje, no JN, a propósito de um estudo sobre o papel das brincadeiras, pode ler-se que crianças respondem que o brinquedo favorito é...

"Computador", "playstation", "jogos on-line". As brincadeiras com computador parecem estar a destronar o futebol das preferências dos miúdos, mas a bola continua a ter muitos adeptos. Se é verdade que as crianças brincam cada vez mais dentro de casa, também parece indiscutível que actividades ao ar livre, como andar de bicicleta ou jogar às "escondidinhas", continuam a apaixonar os mais pequenos. (...)

"Se não tiver nada com que brincar, vejo televisão", diz prontamente Gonçalo Pinto, oito anos, quando confrontado com o cenário de não ter brinquedos com que se entreter. Playstation, gameboy e jogos de computador rivalizam com brincadeiras mais tradicionais, como "caçadinhas" e "escondidinhas", nas preferências do Gonçalo.
João Barbosa, seis anos, ainda não se rendeu ao fascínio dos computadores. A bola é brinquedo preferido e o futebol, claro, a actividade que mais gosta de praticar. E quando lhe perguntam se prefere brincar sozinho ou acompanhado, responde "Com os meus colegas. Sozinho não presta".

1 comentário:

nzagalo disse...

hmmmm

Pois mas uma bola, não é vista propriamente como "brinquedo" mas mais como objecto, não?

Depois existem aqui várias variáveis a ter em conta. Quando entro no quarto da minha filha que tem quase 3 anos, vejo tantos brinquedos como aqueles que eu tive até aos 16 anos. Isto faz com que as crianças atribuam muito pouco valor sentimental em relação aos brinquedos que possuem, é tudo muito efémero. Assim e seguindo este padrão consumista, se perguntarem aos miudos hoje, é natural que respondam com o brinquedo mais caro e que mais difícil foi de obter.

Depois existe uma outra variável, que não pode nunca ser desprezada, as consolas de jogos estão imbuidas do espírito informático que lhes permite a mutação constante do seu conceito. Ou seja, a consola não é um jogo, mas é um portal para centenas de jogos/mundos e deste modo é incomparável a um jogo específico como "a bola" ou "as escondidas".

Quanto ao jogar sozinho/acompanhado esse é um fenómeno transversal à nossa espécie e as consolas não o alteraram. Muitos jogadores preferem jogar jogos multiplayer, massive multiplayer ou simplesmente de competição porque sentem mais os jogos na presença de outro ser humano.