sexta-feira, fevereiro 29, 2008

O que faz a UE relativamente à literacia digital?

Estou a ler este artigo de Kerstin Junge e Kari Hadjivassiliou (The Tavistock Institute), O que fazem a UE e os Estados Membros relativamente à literacia digital?

No resumo, podemos ver uma interessante evolução da noção de Literacia Digital:
Os Estados Membros da UE estabeleceram para si próprios, em 2006, um objectivo ambicioso: reduzir para metade, até 2010, o fosso entre os “grupos em risco” e o cidadão médio no campo da literacia digital. Tendo-se comprometido a transformar a Europa na economia baseada no conhecimento mais competitiva do mundo até ao final do decénio (...).

Com este fim, a UE e os Estados Membros iniciaram a aplicação dum conjunto alargado de medidas no intuito de aumentar os níveis de literacia digital da população europeia. Duma forma geral, as primeiras medidas revelavam uma interpretação funcional da literacia digital que remetia apenas para a capacidade individual em utilizar eficientemente hardware e software. (...)

No entanto, e cada vez mais, o discurso tanto da UE como dos Estados Membros evoluiu para uma interpretação da literacia digital descrita sucintamente como “literacia dos média”. Enquanto tal, abarca agora uma dimensão cognitiva e crítica ausente da interpretação funcional. As iniciativas adoptadas mais recentemente, quer pela Comissão Europeia quer pelos Estados Membros no âmbito do novo programa i2010, caem agora sob a alçada desta interpretação, quando de início a literacia dos média era utilizada apenas em alguns países em relação ao ensino das TIC nas escolas.

Porém, uma interpretação mais sofisticada de literacia digital exige abordagens mais refinadas para medir o que foi alcançado. Um dos grandes desafios num futuro próximo será portanto o de encontrar indicadores menos genéricos e mais capazes de lidar com a diversidade de sujeitos e dos modos de aplicação necessários ao êxito das políticas de literacia digital. Só quando percebermos melhor o que funciona e o que não funciona é que poderemos abrir caminhos para combater a iliteracia digital persistente na Europa dos nossos dias.

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