terça-feira, março 11, 2008

BiblioGames

Já referi a questão da leitura e do jogar, e, agora, encontro jogos cuja temática é precisamente a biblioteca, por isso, penso que poderão ser apelidados de BiblioGames [o nome é inspirado no blogue onde encontrei grande parte destas informações, BiblioFilmes]

De facto, a ideia é aproveitar os videojogos para promover a leitura e "ajudar os alunos a desenvolverem competências através do divertimento e da repetição", segundo o Library Arcade.

Os dois exemplos, Within Range e I'll Get It [imagem seguinte], que aí aparecem são muito interessantes.


Entretanto, encontrei um livro dedicado a esta temática; Gamers... in the Library [imagem seguinte] e um congresso realizado o ano passado, em Chicago, sobre esta matéria, Gaming, Learning, and Libraries Symposium.

segunda-feira, março 10, 2008

Videojogos vs Chocolate

Há dias, na preparação de uma actividade com os meus orientadores, profs Manuel Pinto e Sara Pereira, falámos do filme "Charlie e a Fábrica de Chocolate", a propósito dos estereótipos de crianças que são seleccionadas para visitar a Fábrica de Willy Wonka.

Willy Wonka (Johnny Depp) é um estranho presidente de uma grande fábrica de chocolate que um dia resolve lançar um concurso. Decide colocar 5 bilhetes dourados em 5 embalagens dos seus chocolates. Quem os encontrar terá como prémio o direito a visitar a sua fábrica.

Charlie Bucket, um menino pobre que vive perto da fábrica com a sua família numerosa, é um dos vencedores e a visita vai revelar-se uma mina de surpresas. No fim da visita dos 5 felizardos, haverá apenas um com direito a um prémio especial.

Na companhia de Charlie, vão estar Mike Teavee, um miúdo viciado em televisão e videojogos [ver vídeo em baixo]; Violet Beauregarde, uma muito competitiva rapariga que passa o tempo a mascar pastilha elástica [ver vídeo no youtube]; Veruca Salt, uma mimada menina rica inglesa que obtém dos pais tudo aquilo que deseja [ver vídeo no youtube]; e Augustus Gloop, um gordo alemão que é um autêntico devorador de doces [ver vídeo no youtube]. (resumo retirado do Edusurfa)

No vídeo seguinte pode ver-se Mike Teavee, que representa a criança viciada em videojogos, super inteligente, cuja linguagem os pais não descodificam. Bastou-lhe comprar uma barra de chocolate para obter o prémio, graças aos cálculos matemáticos, mas a verdade é que nunca comeu chocolate...



[Obrigado, Jorge, pela edição do vídeo...]

sexta-feira, março 07, 2008

Computadores ajudam... ou prejudicam a aprendizagem?

Um colega reenviou-me um notícia onde se diz que...
As políticas de inclusão digital, que estimulam o uso de computadores nas escolas, podem estar gravemente equivocadas, de acordo com um estudo realizado na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). A pesquisa mostra que o uso de computadores para fazer tarefas escolares está relacionado ao pior desempenho dos alunos - principalmente entre os mais pobres e mais jovens. »» Inovação Tecnológica

Com alguns dados que podem surprender, ou não, a notícia termina com uma frase do investigador: "[O computador] não é uma solução mágica para a educação".

terça-feira, março 04, 2008

Youtube, o novo não-lugar

Luís Miguel Loureiro (2007) chama ao Youtube o "novo não-lugar" do mundo. Curiosamente, este conceito de não-lugar foi utilizado pelo antropólogo Marc Augé, como forma de identificar lugares que não permitem criar identidade.

Ora, no texto, Loureiro fala da possibilidade de, no Youtube, nos tornarmos "emissores de nós mesmos" (Broadcast Yourself). Mas, neste mega arquivador de imagens em movimento, onde tudo cabe, há, por um lado, uma infinidade de escolhas que o visitante pode visualizar, mas há, também, "uma infinidade de esquecimentos, em forma de vídeo congelado à espera do accionamento redentor, aguardando um play que pode nunca chegar" (p.165).

Apesar de não-lugar, o Youtube constitui-se como um novo espaço público virtual e, um novo espaço social, no dizer de Vilches (2003: 10), fica à espera da sua ocupação. Fazer-se presente no Youtube é projectar o desejo de lembrança, mas não deixa de ser um repositório dos esquecimento global (Loureiro, 2007: 169).

Este fenómeno, com cem milhões de visionamento a cada dia que passa, que terá inspirado outros sistemas, como é o caso do português Sapo Vídeos, merece ser observado com atenção, nomeadamente no que toca às práticas dos seus utilizadores, este que é, seguramente, um dos espaços mais habitado (!) pelas crianças e jovens. Assim sendo:

  • O que procuram?
  • Quando vêem?
  • Colocam vídeos?
  • Constitui-se como uma alternativa à TV, ou é outra forma de ver, precisamente, televisão?

Referências
Augé, Marc (1994). Não-lugares: introdução a uma antropologia da modernidade. Lisboa: Bertrand Editora.
Loureiro, Luís Miguel (2007). "Os arquivos globais de vídeo na Internet: entre o efémero e as novas perenidades. O caso do Youtube", Comunicação e Sociedade, 12, pp.163-172. Braga: CECS, U. Minho.
Vilches, Lorenzo (2003). A migração para o digital. São Paulo: Edições Loyola.

Nuvens de palavras

Paulo Querido está a desenvolver uma ferramenta de análise de conteúdo. Testou-a com os discursos de Sócrates. Pode-se ver aqui os resultados.

A imagem seguinte apresenta uma nuvem de palavras relativa ao discurso do PM num debate mensal sobre o acesso às tecnologias de informação e competitividade.

sábado, março 01, 2008

Contributos do humor para a literacia dos media

Nos últimos anos, têm surgido espaços de humor com qualidade assinalável. O resultado, e, ao mesmo tempo, a origem pode ser explicada com fenómenos de popularidade como o do quarteto humorístico Gato Fedorento. Pode referir-se também o Contra-Informação; o Inimigo Público, o suplemento satírico do jornal Público; ou os espaços diários nas várias rádios nacionais, para além doutros que proliferam na Web.

Cheguei a acompanhar com certa regularidade o Contra Informação e acontecia, algumas vezes, que ficava a saber de alguma notícia através deste programa satírico.
Na verdade, creio que o humor pode aumentar o interesse pelos diversos media, para, enquanto exercício de criatividade e de descontrução da realidade, levar os consumidores a refinarem o seu sentido crítico.

Tenho tido a oportunidade de verificar que há uma grande aceitação do humor por parte dos mais novos, para os quais poderá servir como uma excelente estratégia de (des)construção em relação os media. Os vídeos seguintes, da autoria dos GF, creio que fazem isso mesmo.


_sobre entrevistas rápidas nos telejornais
Testemunhas de um acidente




_sobre a novela Morangos com Açucar
Morangos com adoçante




_sobre o telemóvel
O que se pode fazer com um telemóvel?

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

O que faz a UE relativamente à literacia digital?

Estou a ler este artigo de Kerstin Junge e Kari Hadjivassiliou (The Tavistock Institute), O que fazem a UE e os Estados Membros relativamente à literacia digital?

No resumo, podemos ver uma interessante evolução da noção de Literacia Digital:
Os Estados Membros da UE estabeleceram para si próprios, em 2006, um objectivo ambicioso: reduzir para metade, até 2010, o fosso entre os “grupos em risco” e o cidadão médio no campo da literacia digital. Tendo-se comprometido a transformar a Europa na economia baseada no conhecimento mais competitiva do mundo até ao final do decénio (...).

Com este fim, a UE e os Estados Membros iniciaram a aplicação dum conjunto alargado de medidas no intuito de aumentar os níveis de literacia digital da população europeia. Duma forma geral, as primeiras medidas revelavam uma interpretação funcional da literacia digital que remetia apenas para a capacidade individual em utilizar eficientemente hardware e software. (...)

No entanto, e cada vez mais, o discurso tanto da UE como dos Estados Membros evoluiu para uma interpretação da literacia digital descrita sucintamente como “literacia dos média”. Enquanto tal, abarca agora uma dimensão cognitiva e crítica ausente da interpretação funcional. As iniciativas adoptadas mais recentemente, quer pela Comissão Europeia quer pelos Estados Membros no âmbito do novo programa i2010, caem agora sob a alçada desta interpretação, quando de início a literacia dos média era utilizada apenas em alguns países em relação ao ensino das TIC nas escolas.

Porém, uma interpretação mais sofisticada de literacia digital exige abordagens mais refinadas para medir o que foi alcançado. Um dos grandes desafios num futuro próximo será portanto o de encontrar indicadores menos genéricos e mais capazes de lidar com a diversidade de sujeitos e dos modos de aplicação necessários ao êxito das políticas de literacia digital. Só quando percebermos melhor o que funciona e o que não funciona é que poderemos abrir caminhos para combater a iliteracia digital persistente na Europa dos nossos dias.

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

As novas tecnologias exigem literacia

"As novas tecnologias exigem literacia para serem correctamente usadas", frisou Pacheco Pereira, defendendo que os cidadãos e sobretudo os estudantes, quando fazem consultas na Internet, devem saber distinguir o que é verdadeiro do que é falso .
"Os jovens arrependem-se, quando são adultos, do que escreveram na Internet quando tinham 14 anos e isso fica para sempre na rede", lembrou Pacheco Pereira, ao referir-se à utilização das redes sociais muito populares entre os mais novos, como é o caso do Hi5, onde os jovens colocam quase tudo, desde coisas banais até às questões mais íntimas.
[Pacheco Pereira] atribui às escolas e às universidades o papel de preparar os cidadãos para lidar com os meios digitais. »» RTP

New Media Literacies...



Congresso interessante na University of Connecticut. Ver Brochura.

domingo, fevereiro 24, 2008

Um programa da era digital...

Álvaro Costa em entrevista ao DN...

O sucesso do programa passa também muito pela Internet. Como o encara?
A Liga dos Últimos é um programa da era digital. As audiências hoje estão fragmentadas, o YouTube, o Google e os blogues são formas de comunicação legítimas. Há programas lá fora que podem não ter uma grande audiência, estando fragmentada por vários meios. A Liga dos Últimos é um fenómeno do tempo que vivemos, pois podemos ver televisão no telemóvel, através do computador... A Internet é fundamental no crescimento deste projecto. As pessoas escolhem os momentos do programa e criam best of, é muito engraçado assistir a isto.

Não deixa de ser curioso que a passagem do programa Liga dos Últimos para a RTP1 - o motivo para esta entrevista - seja considerado uma promoção. Graças às novas formas de ver televisão, o programa foi "subindo, subindo e [chega agora] à primeira divisão". Portanto, o digital, mais do aniquilar, valoriza o analógico.