Luís Miguel Loureiro (2007) chama ao Youtube o "novo não-lugar" do mundo. Curiosamente, este conceito de
não-lugar foi utilizado pelo antropólogo Marc Augé, como forma de identificar lugares que não permitem criar identidade.
Ora, no texto, Loureiro fala da possibilidade de, no Youtube, nos tornarmos "emissores de nós mesmos" (
Broadcast Yourself). Mas, neste mega arquivador de imagens em movimento, onde tudo cabe, há, por um lado, uma infinidade de escolhas que o visitante pode visualizar, mas há, também, "uma infinidade de esquecimentos, em forma de vídeo congelado à espera do accionamento redentor, aguardando um play que pode nunca chegar" (p.165).
Apesar de não-lugar, o Youtube constitui-se como um novo espaço público virtual e, um novo espaço social, no dizer de Vilches (2003: 10), fica à espera da sua ocupação. Fazer-se presente no Youtube é projectar o desejo de lembrança, mas não deixa de ser um repositório dos esquecimento global (Loureiro, 2007: 169).
Este fenómeno, com cem milhões de visionamento a cada dia que passa, que terá inspirado outros sistemas, como é o caso do português
Sapo Vídeos, merece ser observado com atenção, nomeadamente no que toca às práticas dos seus utilizadores, este que é, seguramente, um dos espaços mais habitado (!) pelas crianças e jovens. Assim sendo:
- O que procuram?
- Quando vêem?
- Colocam vídeos?
- Constitui-se como uma alternativa à TV, ou é outra forma de ver, precisamente, televisão?
ReferênciasAugé, Marc (1994). Não-lugares: introdução a uma antropologia da modernidade. Lisboa: Bertrand Editora.Loureiro, Luís Miguel (2007). "Os arquivos globais de vídeo na Internet: entre o efémero e as novas perenidades. O caso do Youtube", Comunicação e Sociedade, 12, pp.163-172. Braga: CECS, U. Minho. Vilches, Lorenzo (2003). A migração para o digital. São Paulo: Edições Loyola.